¡Grande Jorge Consuegra!

No. 7424 Bogotá, Sábado 28 de Mayo de 2016 


Mientras unos dan plomo, nosotros damos pluma
Jorge Consuegra





Artigo publicado no Jornal O Povo, Caderno Vida & Arte, pág.4


Quarta-feira, 25 de Maio de 2016. Fortaleza, Ceará, Brasil


Por: Flávio Paiva.




Passei toda a manhã do último sábado (21) com uma prolongada sensação de tristeza. Desde que acordei que não tinha vontade de fazer nada. Depois do almoço, aquele estado melancólico continuou a me abater. No início da tarde, deu vontade de entrar em contato com a Natalia, filha do meu amigo Jorge Consuegra, para saber notícias dele, que há algum tempo enfrentava problemas de leucemia. Pouco depois ela me respondeu: “Flávio, o meu pai morreu ontem à noite”.

Entre atônito e apressado, passei a acessar os sites da imprensa colombiana e as páginas de cultura do El Espectador, do El Heraldo e do El Tiempo, dentre outros portais de mídia que estampavam o adeus ao eterno jornalista, professor universitário, escritor e agitador cultural. Encontrei até mensagem institucional do Ministério da Cultura e do presidente Juan Manuel Santos —com quem Jorge não tinha qualquer afinidade política— por conta da partida desse discreto, e ao mesmo tempo intenso, defensor da arte e da literatura latino-americana.

Muitos dos jornalistas culturais atuantes em Bogotá foram alunos do Jorge Consuegra (1949 – 2016). Depoimentos emocionados dos seus ex-alunos e admiradores espalharam-se pelas redes sociais e de comunicação. Indalecio Castellanos publicou na página da rádio RCN que, entre as razões que levavam os alunos do “Profe Consuegra” a terem paixão por jornalismo, estava o ensinamento de que devemos escrever impulsionados pela potência da vida, como caminhar e comer, e que é necessário sair às ruas para buscar histórias.

Se a aula era de reportagem, ele chegava a levar uniformes da empresa de serviço público para vestir os estudantes, que deveriam varrer as ruas do bairro antes de escrever sobre limpeza urbana. Para escrever sobre a contaminação do rio Bogotá, seus alunos tinham que caminhar quilômetros e mais quilômetros, seguindo as águas desde a nascente até depois da capital, para entender as origens daquela poluição fluvial.

Da mesma maneira que levava os estudantes para fazer tarefas nas ruas, como método para a observação e criação de histórias, Jorge Consuegra acreditava na difusão da produção da Colômbia e da América Latina como alicerce para o desenvolvimento. Ele escreveu para os principais periódicos do seu país, e fez programa de rádio e televisão sempre reforçando a proposta de consolidar o interesse das pessoas e das instituições pela cultura.

Tinha muita vontade de que a capital colombiana fosse apreciada pelo que tem de encantadora. Em seu livro Bogotá Curiosa, procurou revelar detalhes da história da capital colombiana, tais como o que ocorreu com a passagem do primeiro circo, com a instalação pioneira do boteco “La tienda de la espumita” e com a chegada da primeira bicicleta, em um lugar reconhecido por suas extensas ciclofaixas e ciclovias de lazer e de trabalho.

Acompanhei a produção do Jorge desde que ele criou no início da década de 1980 a agência cultural de notícias Libros & Letras, por meio da qual sistematizou e pôs em prática seu sonho de repercutir manifestações culturais colombianas e latino-americanas. Essa agência foi transformada em uma revista impressa e virtual, movida pela esperança de que a cultura deve ser tratada e impulsionada como notícia de relevante valor social. Grande Jorge: coração bom, vida digna, sarau no céu!

Jorge Consuegra por Hache Holguín
Jorge Consuegra por Hache Holguín


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